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Música, Matemática e Ciências. Uma proposta interdisciplinar.

(Publicado na Revista cenário Musical n.7 - abril/maio 2007 - ed.HMP)

Nesta edição, procurando atender aos professores de música que trabalham em escolas de Educação Fundamental, com crianças e adolescentes, e necessitam de orientação para trabalhar com a pedagogia de projetos, farei uma abordagem interdisciplinar da música. A proposta tem como referência as orientações contidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Fundamental (PCN), das áreas de Ciências Naturais,  Matemática e Arte.

            De acordo com os PCN – Ciências Naturais, o papel das Ciências Naturais é o de colaborar para a compreensão do mundo e suas transformações, situando o homem como indivíduo participante e integrante do Universo. Apesar de os PCN apresentarem como proposta o estudo das Ciências Naturais em 4 blocos temáticos (Ambiente, Ser humano e Saúde, Recursos tecnológicos, Terra e Universo), estes não se encontram dissociados em suas abordagens. Os temas visam facilitar o tratamento interdisciplinar das Ciências Naturais, considerando-os a partir do contexto social e da vivência cultural da comunidade escolar. Partindo do pressuposto que o homem encontra-se mergulhado num universo sonoro e que o estudo dos fenômenos acústicos são do domínio das Ciências, encontra-se a pertinência do estudo interdisciplinar da Música e das Ciências.

            Os PCN de Matemática destacam que “a matemática deverá ser vista pelo aluno como um conhecimento que pode favorecer o desenvolvimento do seu raciocínio, de sua capacidade expressiva, de sua sensibilidade estética e de sua imaginação”. (2000, p.31) Indubitavelmente, a música e a matemática sempre foram domínio um do outro desde os tempos de Pitágoras. Assim como a matemática favorece a capacidade expressiva, a sensibilidade estética e a imaginação, “...o universo da arte caracteriza um tipo particular de conhecimento que o ser humano produz a partir das perguntas fundamentais que desde sempre se fez com relação ao seu lugar no mundo”. (PCN-Arte, 2000, p.32).

           

            Segue uma série de sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula. Cada atividade deve ser vivenciada e discutida com o grupo participante, acerca dos conteúdos abordados em cada disciplina e registrados de acordo com cada proposta. A percepção dos conteúdos dependerá da série e da idade dos participantes, bem como do conhecimento prévio de cada grupo. As atividades podem ser adaptadas de acordo com os objetivos do professor e adequadas às situações específicas de acordo com a necessidade.

 

1)      Vamos brincar (aquecimento) - Jogo atenção, concentração.

      Sentados em roda, os participantes são numerados em ordem crescente e em sentido horário. Todos devem realizar simultaneamente os seguintes movimentos: bater as mãos nas pernas H , bater uma palma I, estalar os dedos da mão direita F falando o seu número e em seguida, estalar os dedos da mão esquerdaE falando outro número, “chamando” outro participante, que dará continuidade ao jogo. O verso a seguir marca a pulsação do grupo: atenção, concentração,  ritmou, vai começar

        H I  F  E H I  F  E

            ( 1  )     ( 12 )                 ( 12 )  ( 5 )

Falar o verso só uma vez para que todo o grupo realize os movimentos de forma sincronizada. Manter a seqüência de movimentos até alguém errar, não respondendo ao chamado do seu número, quebrando a seqüência do jogo.

( N ) refere-se ao número atribuído a cada participante antes do jogo começar e está colocado no momento em que deve ser falado, sincronizando-o ao movimento proposto.

                                          

2)      O que é pulsação? Os sons do corpo humano.

      Pedir para um aluno sair da sala e correr pelo pátio até que alguém vá chamá-lo. Enquanto isso, perguntar para a turma, se alguém sabe o que é pulsação. Ensinar a perceber o pulso (colocando os dedos indicador e médio sobre o pulso) e contar quantas pulsações tem no intervalo de um minuto, anotando em seguida numa folha de papel. Chamar o aluno que estava correndo no pátio de volta à sala. Pedir a esse aluno que coloque a mão em seu próprio peito e imite o som que seu coração produz e em seguida coloque a mão no peito de um colega da sala e comparando, descreva o som do coração deste colega. Os alunos que ficaram na sala de aula, devem ensinar para o aluno que saiu, como achar o pulso, para que ele também tome nota das pulsações por minuto. Comparar e discutir os resultados, ampliando a discussão para assuntos referentes ao funcionamento do organismo humano, saúde, tempo, medidas, proporção, etc.

 

3)      Higiene vocal – Enquanto o professor conta a história, os alunos devem realizar  com a voz, os sons propostos.

      Pedrinho estava dormindo (inspirar e expirar – bebê dormindo), quando foi acordado pelo telefone tocando (trrrrrrrrr), levantou num sobressalto e correu para atender. O telefone parou de tocar. Pedrinho resolveu tomar um banho e abriu o chuveiro (shhhhhhh). Terminado o banho, resolveu pegar a sua moto e sair para passear (brrrrrrrr). De repente, surge uma ambulância na sua frente (IUIUIU). Desviou e desceu a rua (uooooooo) e depois subiu (uoooooooo). Chegou em casa, abriu a porta, bocejou e foi dormir.

 

4)      Como as pessoas falam e como cantam?

      Mostrar a relação entre o movimento de encher os balões e o funcionamento do aparelho respiratório e fonatório. Estique entre os dedos o “pescoço” de um balão cheio de ar. Quando o ar escapa, faz o pescoço vibrar e produzir um chiado. Mude a altura desse chiado esticando ou afrouxando os dedos. O pescoço do balão age como as cordas vocais, e seus dedos agem como os músculos da laringe. Explique que a qualidade e a saúde da voz depende do modo como respiramos. Trabalhe a respiração abdominal e intercostal. Demonstre a respiração, deitando-se no chão e colocando um bichinho de pelúcia sobre a barriga para que os alunos possam ver o movimento da respiração abdominal e compare esse movimento com a respiração do bebê ou de um cachorrinho dormindo. Ensine uma canção.

 

5)      Adição e multiplicação rítmica

      Prepare pequenos cartões, cada um com um número escrito (você pode utilizar também   um jogo de baralho). Divida a classe em dois ou mais grupos. Um aluno de um grupo retira do monte um cartão e executa com palmas o número indicado. Outra criança retira outra carta e repete o procedimento. O grupo adversário apresenta a resposta escrevendo na folha de papel. Você pode dificultar o jogo, propondo uma pequena equação (que deve ser escrita na lousa), como por exemplo: ____+____×____+____+____×____=____

Cada grupo pode ser composto, nesse caso, por seis alunos, no qual cada um retira uma carta e executa o número indicado na carta com palmas (para dificultar ainda mais, cada aluno pode executar as palmas com intervalo de tempo diferente entre uma palma e outra, constituindo uma célula rítmica). O grupo que resolver primeiro a equação ganha um ponto. O professor deve propor várias equações para tornar o jogo mais interessante. Ao final, ganha o grupo que tiver o maior número de acertos, ou melhor, todos saem ganhando, já que jogar possibilita a aprendizagem lúdica e abre espaço para novas aprendizagens a partir do contexto em que se realiza.


 

Sobre Leila Sugahara

Leila Sugahara - Doutora e Mestre em Educação: Psicologia da educação pela PUC/SP. Realizou pesquisas sobre música e desenvolvimento, música na escola, representações sociais de música, teoria walloniana e escuta musical. Pianista, pedagoga e educadora musical, tendo como foco a formação de professores de música e o ensino de piano para crianças. (leia mais Sobre nós)

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Leila Sugahara rededuc@rededuc.com

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